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ARTIGO: "Ao Ilustrador Iniciante"

Por Rubens Lima
Recebemos muitos e-mails de ilustradores iniciantes ou de
estudantes que gostam muito de desenhar e gostariam de transformar
esse dom em sua profissão, pedindo orientações
e sugestões sobre como ingressar na área, como
evoluir na parte técnica e na parte profissional, como
entrar no mercado, entre outras solicitações.
Para auxiliá-los segue aqui alguns pontos que podem
se mostrar importantes para trilhar este caminho.
Introdução: Desenho e Ilustração
Bem ou mal, todos desenhamos, mas desenho não é
ilustração. O desenho na verdade é a
matéria-prima da ilustração. O desenho
tem existência própria, pode existir sem um tema,
sem um princípio, sem uma necessidade. A ilustração
não. Uma ilustração é um desenho
firmemente conectado a uma idéia, a um texto, a um
conceito. Afinal, a ilustração "ilustra"
alguma coisa, ficando muitas vezes sem sentido longe de seu
contexto. Nós podemos desenhar qualquer coisa, a qualquer
hora, o que passar em nossa própria cabeça,
sem nenhum critério. Já quando fazemos da ilustração
nossa profissão, normalmente temos que ilustrar idéias
de outras cabeças (de um jornalista, de um designer,
um publicitário, um autor de uma crônica etc
etc). Um bom ilustrador deve saber entender a necessidade
de outros, por isso deve agregar à sua habilidade de
desenhar, outras habilidades entre elas, a interpretação
de textos e uma boa cultura geral.
Por isso nem todo bom desenhista é necessariamente
um bom ilustrador. Álias, mais fácil é
achar desenhistas medianos que se transformaram em ótimos
ilustradores.
Para quem está começando é interessante
rever seus critérios e o modo de encarar seu próprio
trabalho de criação. Devemos o quanto antes
nos distanciar de conceitos subjetivos como "bonito/feio",
"certo/errado". Uma boa ilustração
deve principalmente ser expressiva e cúmplice do tema
que está ilustrando. Ela deve conseguir passar de forma
peculiar a mensagem em questão, a situação
ou emoção. O desenho em uma ilustração
não precisa ser complexo, não precisa ser figurativo,
não precisa seguir regras, nem proporções.
Uma boa ilustração intriga, nos chama a atenção
sem as vezes sabermos porquê.
Este pensamento liberta-nos um pouco do "fantasma da
folha em branco", do medo de errar, do medo de "não
ficar bonito" e, principalmente, nos faz respeitar mais
nosso próprio traço, seja ele qual for, afinal
este traço, uma coisa tão pessoal, é
a linguagem que um ilustrador usa para comunicar uma idéia.
Este é o primeiro passo: respeitar seu próprio
traço, sua própria linguagem.
Dicas para evolução
• PRÁTICA: desenhe sempre, a qualquer hora, em
qualquer lugar. Observe tudo a sua volta, cenas do cotidiano,
pessoas etc e tente retratá-las a sua maneira. Tenha
um bloquinho que seja fácil levar sempre com voçê.
A prática é otima para ganhar confiança
no seu traço e treinar a comunicação
de situações reais através do desenho
(e não só aquelas que passam na sua cabeça).
• REFERÊNCIAS: conheça e pesquise trabalhos
de outros ilustradores (ilustradores importantes na história,
ilustradores contemporâneos e novos talentos). Quando
folhear uma revista, livro ou jornal, tenha uma visão
crítica sobre os trabalhos que observa, ou seja, veja
tudo com "olhar de ilustrador" e não de leitor
ou admirador: procure ver o que te agrada nas ilustrações,
o traço, o uso das cores, os fundos, a composição
(elementos e equilibrio entre eles), e questione enquanto
analisa — "Como esse cara fez este fundo?",
"Por que este ilustrador utilizou este traço mais
grosso nos personagens? "Por que ele faz as mãos
desproporcionais em relação ao corpo?".
Tente achar o que existe na ilustração desses
profissionais e falta nas suas...e corra atrás.
• EXERCÍCIOS: a prática de exercícios
permite que se possa treinar as habilidades de se comunicar
através do desenho. Por exemplo: selecione algumas
matérias de jornais ou revistas que tenham assuntos
ou temas que se encaixem com seu estilo e linguagem e tente
ilustrá-los (prefira textos que não tenham ilustrações
para você poder partir do zero). Escolha, por exemplo,
5 textos diferentes e proponha a você mesmo um prazo
para fazer as 5 ilustrações (2 semanas, por
exemplo). Dica: a ilustração não precisa
"traduzir" o texto, muitas vezes a ilustração
é bastante útil para deixar o leitor no clima
do texto, no clima do assunto que está sendo tratado.
Não seja pessoal — a ilustração
tem que estar em sintonia com a postura do texto, não
com a sua.
Caso você goste de ilustrações publicitárias
ou realistas, uma idéia é escolher uma embalagem
de produto (um suco por exemplo), e, mantendo a estrutura
de design do produto (logo, cores etc) faça sua versão
da ilustração principal (no caso do suco que
usamos de exemplo: a fruta, o líquido caindo, etc)
• CURSOS: Bons cursos, apesar de não serem determinantes
no sucesso de ninguém, podem abreviar este processo
de evolução. E aqui me refiro a evolução
técnica, pois infelizmente no Brasil temos poucos ou
nenhum curso que foque na atividade do Ilustrador como profissional
de Comunicação. A maioria dos cursos com o nome
de "Curso de Ilustração", normalmente
são cursos de técnicas de desenho, pintura ou
cursos de informática (que na verdade ensinam o uso
das ferramentas digitais — os softwares). É justamente
o que a ILUSTRANET espera começar a promover em breve:
oficinas, workshops para profissionais iniciantes focada na
prática profissional do ilustrador.
• NO MERCADO: percorrendo as dicas acima a idéia
é juntar um número de ilustrações
de qualidade através dos exercícios e montar
um portfólio. Não pense em quantidade, pense
em qualidade: coloque apenas as ilustrações
que realmente são as melhores —na dúvida
sobre alguma ilustração, não inclua.
Com o conjunto de ilustrações definido, faça
um portfolio digital, utilizando os espaços gratuitos
que existem em alguns blogs ou fotoblogs (só que em
vez de fotos vc vai colocar suas lustrações)
e comece a divulgar seu endereço. Mantenha seu portfólio
digital sempre atualizado colocando suas últimas criações.
Esperamos que essas sugestões básicas sejam
úteis a quem está se interessando por este campo
de atuação. Agora, mãos a obra!
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